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A comercialização da fé



É com tristeza que vejo o aumento da comercialização da fé. Nesse período de pandemia, muitos em nome de Deus apareceram vendendo falsas curas, outros tantos, preocupados por terem suas portas fechadas, brigavam para que pudessem voltar a ter suas portas abertas, mas o motivo estava relacionado com a questão financeira.

É triste ver que as igrejas entraram na corrida pelo dinheiro e com isso, ela está se desconfigurando e passa a se tornar um negócio rentável, uma empresa. Sendo assim, os líderes deixam de ser pastores e passam a ser gestores. Contudo, é fundamental recordar o que diz a Escritura: “Quem ama o dinheiro, não se fartará de dinheiro; nem quem ama a riqueza se fartará do ganho; também isso é vaidade.” (Ec 5.10). Contudo, nossa preocupação não deve ser juntar, acumular tesouros aqui nessa terra. Não podemos ficar agarrados ao desejo de uma riqueza passageira que nunca satisfaz plenamente. Nosso desejo deve ser o de juntar tesouro onde a traça e a ferrugem não corroem. O maior tesouro que alguém pode ter são as pessoas transformadas pela graça de Deus. Nosso coração deve estar nas pessoas e não nas coisas, pois onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração (Mt 6.19-21). Aqui cabe a fala do saudoso Pr. Isaltino Gomes C. Filho: “Dinheiro não é Deus. Nem é demônio. É coisa. Coisas não são o valor último da vida nem mesmo o referencial absoluto. Coisas se usam, não se adoram. Elas não enchem a vida de significado. Quem as ama ficará vazio.

Vivemos na pós-modernidade, um tempo de mudanças constantes, onde tudo gira em torno do audiovisual e nesse novo tempo, a igreja tem que se adaptar e nesse processo, as coisas estão tendo mais valor que as pessoas. Vemos a fragmentação do evangelho, muito em prol das mudanças que estão acontecendo e pelo excesso do uso de imagens e o culto deixa ser de louvor e adoração a Deus e torna-se um espetáculo um momento de entretenimento para os que ali se encontram.

E nesse tempo, é comum vermos a barganha da fé. A venda não só de coisas, mas de milagres e a negociata que se faz em nome de Deus. Contudo, o comércio da fé é prejudicial à igreja e por isso, nela já não fala de santidade cristã. Não diz que o seguidor de Cristo deve ser um padrão para a sociedade, um modelo a ser seguido. Os empreendedores não afirmam que devemos amar mais a Deus do que tudo nesse mundo. É essencial refletir no texto de Apocalipse: “Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te”. (Ap 3.17-19). O ter pode ser o maior indicativo do quão longe estamos de Deus.

Jesus perto de celebrar sua última Páscoa, entrou no templo e o purificou (Mt 21.12-17). De certo, hoje ele faria a mesma coisa, mas a purificação deve acontecer em nossas vidas, pois a igreja, o templo tem que ser um lugar de oração, cura e adoração e nunca um mercado de livre comércio.

Prefiro não barganhar com a fé e amar mais pessoas do que coisas.


#vidacristã #fé #comércio

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