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A morte ensina a viver



Viver é um desafio muito grande e é essencial entender que viver é muito mais que existir. Há pessoas que existem, mas não vivem. Gonzaguinha dizia: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”, mas Vinícius foi mais contundente na canção “Como dizia o poeta” ele nos diz:


"Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão"

Vinícius acertou ao dizer que há pessoas que passam pela vida, mas não vivem. No livro “A morte é uma hora que vale a pena viver”, Ana Cláudia Quintana Arantes afirma: “ Não há espaço para falar sobre a morte com pessoas que não estão vivas nas suas vidas.” (pg 92) Como é que nos encontramos?

Estamos passando por um momento em que as pessoas estão refletindo sobre a vida e o fazem diante da morte, pois ela está presente nos noticiários de forma constante por causa do Covid-19. Leio um artigo interessante de Priscila Carvalho: “Vamos falar sobre morte? Tema é importante, principalmente na pandemia” Nesse texto ela afirma que: “


Em 2018, um estudo encomendado pelo Sincep (Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil) e realizado pelo Studio Ideias mapeou a percepção de brasileiros sobre o tema. Os resultados mostraram que 74% das pessoas não falam sobre a morte no cotidiano; falar sobre o tema foi visto como algo depressivo (48%) e mórbido (28%). Entretanto, mais da metade (55%) dos participantes concordaram que "é importante conversar sobre a morte, mas as pessoas geralmente não estão preparadas para ouvir". Para 57% o tema pertence à esfera da intimidade e apontou amigos e parentes próximos como pessoas mais procuradas para conversar sobre isso.

É diante da morte que refletimos sobre a vida. A Escritura diz: “Melhor é ir na casa onde há luto do que ir na casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” e “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria.” (Ec 7.2 e 4). Portanto, a morte ensina a viver e nos faz ver a vida com outros olhos e isto porque, “a morte é, sem dúvida, uma das melhores professoras da vida!

Em seu livro “E depois?”, Jean Lyon declara que: “Toda vida é movimento para morte. Toda morte começa com a vida e termina com ela. Todo nascimento marca uma corrupção. Ninguém pode deter este movimento, cuja definição está na própria inelutabilidade e irreversibilidade.” (pg 18). Como costumamos afirmar, a única certeza desta vida é a morte.

A morte ensina a viver e mostra o que deve ser valorizado na vida e não podemos esquecer que a vida é breve e frágil, muito frágil!

A morte é uma realidade e devemos falar dela sem medo. Aliás, em casa costumamos falar muito sobre e projetar até a nossa despedida. Isto faz com que tenhamos consciência de nossa finitude. No livro “Morte: A experiência da vida em plenitude” Anselm Grün afirma: “Ter a própria morte diante dos olhos significa viver humanamente, de acordo com a nossa existência humana, que, afinal de contas, é mortal.” (pg 10). Ter a consciência de nossa mortalidade nos faz amar a vida e viver com sentido de vida e assim, podemos ter tempo para prepararmo-nos para morrer, mas “preparar-se para morrer significa, na realidade, cavar o mais profundamente possível o leito da sua relação com os outros, aprender a se entregar-se” declara Marie de Hennezel em seu livro “Diálogo com a Morte” (pg 28)

É na casa onde há o luto que avaliamos a vida e é ali que também descobrimos que a vida só se dá para quem se deu.


#vida #morte #entrega #ensinamentos

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