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Dicotomia sentimental


Alegria e tristeza caminham de mãos dadas e a Escritura manda-nos: “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.15). Viveremos sempre essa dicotomia entre alegria e tristeza e um bom exemplo disso é alegria que nos invade pelas milhares de pessoas que estão sendo curadas do covid-19. Devemos exultar e agradecer pelas vidas que foram salvas. Como escreveu Edith Schaeffer: “Devemos nos alegrar com a bonança e as felicidades das outras pessoas, em vez de sentir ciúmes ou inveja por suas conquistas e posses”. Diante do sucesso, alegria e muita exultação.

E é assim, que eu vou vivendo meus dias, entre sorrisos e lágrimas. Exulto por minha felicidade e com a dos outros, mas choro a minha dor e a do meu próximo. Entristeço-me, porque não perdi a minha sensibilidade e o direito à indignação. É fundamental chorar e entristecer-se com os que estão tristes. É essencial partilhar as lágrimas. Devemos compreender que: “Chorar não é algo que os cristãos devam evitar fazer ou sentir. Não é errado sentir lágrimas quentes escorrendo pelo rosto, salgadas nos cantos dos lábios, como parte da nossa experiência de vida”. É fundamental e essencial acolher a dor do outro e partilhar também a minha dor.

Alegria e tristeza caminham de mãos dadas e somos desafiados a partilhar a felicidade e a tristeza com o nosso semelhante. Precisamos exultar com aqueles que estão sendo vitoriosos, mas é fundamental chorar com os que estão em sofrimento. É fundamental vivermos essa dualidade, mas devemos vivê-la de modo saudável. Como diz Rafael Santandreu: “todos nós temos o direito de sentir aquilo que quisermos, mas isso não leva a que esses sentimentos sejam lógicos (e corretos). Se exagerarmos aquilo que sentimos, isso torna-se ilógico e está errado de um ponto de vista racional”. Sendo assim, sem exageros, vivamos com sobriedade na partilha das nossas emoções e sentimentos.


O mundo está chorando, mas também celebrando. A pandemia espalhou a tristeza, mas a notícia do surgimento das vacinas trouxeram-nos a esperança e uma certa alegria. Contudo, diante das tragédias e de tantas mortes, além da tristeza e revolta, surge-nos o por que? “Por que? Não sabemos por que acontece cada acidente e morte em particular, mas sabemos que, embora haja uma batalha feroz com graves perdas, a vitória é certa e absoluta! A morte será tragada pela vitória”. Sim, a morte não é o ponto final da história.

Vivemos um momento de grande tristeza, mas também de muita esperança e alegria. Contudo, precisamos manter firmes a nossa convicção e esperança e mesmo que a morte bata à nossa porta e nos cause uma dor enorme, deixando-nos um vazio, mantenhamos acesa a chama da esperança pois a Escritura diz: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? (1 Co 15.51-55).

Alegria e tristeza caminham juntos, mas vai chegar o momento em que a nossa dicotomia cessará e viveremos desfrutando apenas da alegria. Sendo assim, fiquemos firmes e confiantes n’Aquele que é a nossa alegria! #sentimentos #alegria #tristeza #vida

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