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Diga não a ansiedade



As notícias não são nada animadoras. Todas elas falam da quantidade de pessoas que estão morrendo. Repentinamente a morte se transformou na principal notícia do dia. Guardando as devidas proporções, recordo a música que Zeca Afonso compôs em homenagem a seu amigo pintor que foi brutalmente assassinado na antiga rua da Creche, em Alcântara, Lisboa pela Pide. A canção “A morte saiu a rua”. Sim ela saiu e está na rua, está em todos os lados e subitamente ela voltou a fazer parte das nossas conversas, da nossa vida e nos rodeia bem de perto e passamos a ver toda nossa fragilidade.


No excelente livro “A morte é um dia que vale a pena viver” a doutora Ana Cláudia Quintana Arantes diz: “Na verdade, morrer é um processo que jamais poderá ser interrompido, mesmo que façam tudo o que a medicina pode oferecer. Se o processo ativo da morte se inicia, nada poderá impedir seu curso natural.” A morte faz parte da vida e ela foi resgatada e trazida de volta às nossas casas e precisamos refletir e viver percebendo que ela é uma realidade.


Sei que a morte nos parecer próxima, ter virado notícia é assustador. Contudo, este tem sido um tempo de muita reflexão e a morte tem sido uma excelente professora sobre a vida.


Este é um tempo de medo e ansiedade. Contudo, para momentos assim, gosto de refletir em dois textos do apóstolo Paulo. Sei que não é bom pegar textos soltos, mas há momentos na vida, onde as respostas nos faltam e sinceramente me recorro destes dois versículos. O primeiro diz: “Sabemos que Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem daqueles que o amam, dos que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28). Há momentos em que a dor toma conta do ser, tudo se cobre de trevas, mas aí eu recordo-me que até mesmo os momentos mais sombrios contribuirão para o meu bem, pois é isto que Deus fará acontecer.


É preciso entender que por mais trágico que o momento possa parecer e muitas vezes o é, saiba que Deus está cuidando de você e trabalhando para melhores dias.


O segundo texto diz: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio da oração e súplica com ações de graça” (Fp 4.6). Paulo diz que a ansiedade é uma realidade existencial, mas também diz que em vez de valorizá-la, devemos apresentar aquilo que nos deixa ansiosos perante Deus. O fantástico é que não importa o que gera ansiedade, não importa se é uma coisa boba, podemos levá-la até Deus e entregar-lhe.


Podemos ficar ansiosos, mas é bom saber que temos com quem partilhar a nossa ansiedade e por isso, devemos ser gratos. É maravilhoso saber que há um Deus que escuta as nossas queixas, que deseja receber a nossa ansiedade. No fundo, o que é dito é que temos um Deus que cuida dos pequenos detalhes da nossa existência.

A morte voltou a ser tema de conversa e quando falamos sobre ela, pensamos na vida e desejamos viver. Contudo, neste momento vemos a morte se banaliza e se generaliza. O temor toma conta do nosso ser e naturalmente a ansiedade chega, mas é neste momento que precisamos ouvir as palavras da Escritura dizendo para não andarmos ansiosos e o motivo pelo qual não devemos fazê-lo é porque temos um Deus que cuida de todas as áreas da nossa vida. Portanto, digamos não a ansiedade.



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