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Não aceite o assédio


O assédio sexual tem se convertido em um problema mundial, com ocorrência em todos os âmbitos sociais. Recentemente, foi noticiado que a Associação Académica de Coimbra (AAC) vai criar um gabinete de denúncias para que a comunidade estudantil possa expor situações de assédio. Portanto, a questão é séria e acontece em todos os estratos sociais e não podemos fechar os olhos para tal situação. A Escritura apresenta esse problema e mostra-nos que essa situação é antiga e os contornos são sempre os mesmos. Senão, vejamos:


“Quando José foi levado para o Egito pelos negociantes ismaelitas, eles o venderam a Potifar, um oficial egípcio. Potifar era capitão da guarda do faraó, o rei do Egito. O Senhor estava com José, por isso ele era bem-sucedido em tudo que fazia no serviço da casa de seu senhor egípcio. Potifar percebeu que o Senhor estava com José e lhe dava sucesso em tudo que ele fazia. Satisfeito com isso, nomeou José seu assistente pessoal e o encarregou de toda a sua casa e de todos os seus bens. A partir do dia em que José foi encarregado de toda a casa e de todas as propriedades de Potifar, o Senhor começou a abençoar a casa do egípcio por causa de José. Tudo corria bem na casa, e as plantações e os animais prosperavam. Assim, Potifar entregou tudo que possuía aos cuidados de José e, tendo-o como administrador, não se preocupava com nada, exceto com o que iria comer. José era um rapaz muito bonito, de bela aparência, e logo a esposa de Potifar começou a olhar para ele com desejo. Venha e deite-se comigo, ordenou ela. José recusou e disse: Meu senhor me confiou todos os bens de sua casa e não precisa se preocupar com nada. Ninguém aqui tem mais autoridade que eu. Ele não me negou coisa alguma, exceto a senhora, pois é mulher dele. Como poderia eu cometer tamanha maldade? Estaria pecando contra Deus! A mulher continuava a assediar José diariamente, mas ele se recusava a deitar-se com ela. Certo dia, porém, quando José entrou para fazer seu trabalho, não havia mais ninguém na casa. Ela se aproximou, agarrou-o pelo manto e exigiu: Venha, deite-se comigo!. José se desvencilhou e fugiu da casa, mas o manto ficou na mão da mulher. Quando ela viu que José tinha fugido, mas que o manto havia ficado na mão dela, chamou seus servos. Vejam! disse ela. Meu marido trouxe esse escravo hebreu para nos fazer de bobos! Ele entrou no meu quarto para me violentar, mas eu gritei. Quando ele me ouviu gritar, saiu correndo e escapou, mas largou seu manto comigo. Ela guardou o manto até o marido voltar para casa. Então, contou-lhe sua versão da história. O escravo hebreu que você trouxe para nossa casa tentou aproveitar-se de mim, disse ela. Mas, quando eu gritei, ele saiu correndo e largou seu manto comigo! Ao ouvir a mulher contar como José a havia tratado, Potifar se enfureceu. Pegou José e o lançou na prisão onde ficavam os prisioneiros do rei, e ali José permaneceu. Mas o Senhor estava com ele na prisão e o tratou com bondade. Fez José conquistar a simpatia do carcereiro, que, em pouco tempo, encarregou José de todos os outros presos e de todas as tarefas da prisão. O carcereiro não precisava mais se preocupar com nada, pois José cuidava de tudo. O Senhor estava com ele e lhe dava sucesso em tudo que ele fazia” (Gn 39,1-23). 

O que esse texto nos ensina?


O texto nos ensina que o assédio é um ato perpetrado por um superior em relação ao seu subordinado. É claro que há casos em que a situação é inversa. Contudo, na maioria das vezes é um ato de alguém que tem poder sobre outra, que considera inferior. José era o mordomo da casa, um escravo e sua dona, sem pejo o assediou ao buscar maneiras de seduzi-lo. Esse é um padrão, pois aquele que detém o poder constrange e leva o subordinado ao extremo para que ceda às suas investidas.


O texto também ensina que o assédio é uma tentativa de objetificar o ser humano. José era um escravo e, como tal, uma pessoa sem direitos. Ele era um objeto, não tinha vontade própria. A mulher de seu dono queria usá-lo. Dessa mesma forma, nos dias atuais, o assédio é uma tentativa de objetificar o ser humano. É fazê-lo de instrumento de prazer e nada mais. É a cultura da coisificação do ser humano e isso não deve ser tolerado.

Outro aspecto importante que o texto ensina é que a cultura do assédio busca sempre culpabilizar a vítima e não o agressor. José resistiu, fugiu e não aceitou ser um objeto de prazer nas mãos da mulher de Potifar e ela, para se justificar, culpou-o e o fez ir para o cárcere. Portanto, aqueles que são mais frágeis acabam sendo vítimas e ainda levam com as culpas dos atos insanos dos perpetradores de tamanha crueldade.


Por último, assédio é um ato contra Deus. José afirma que não poderia ceder a tal tentativa, pois era uma maldade contra o seu senhor e, acima de tudo, pecado contra Deus. O assédio é um ato contra Deus, pois torna o ser humano, que foi criado à imagem e semelhança de Deus, em objeto.

Numa sociedade hedonista, em que os que detêm o poder pensam que podem tudo, é preciso resistir. É fundamental dizer basta e, mesmo que as consequências sejam desfavoráveis, não ceder. José disse não mesmo sendo um escravo e, tal como ele, não aceite o assédio.

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