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Pais e filhos



As notícias mostram o quanto a violência doméstica está em evidência. Ela não é um evento restrito a um determinado espaço geográfico fechado, mas sim global e, neste tempo de pandemia, tem aumentado e as suas vítimas, são crianças, mulheres e homens. A violência familiar não é fruto da contemporaneidade, uma vez que os primórdios e trespassa à nossa história.


A violência inicia-se como um ato de agressão a Deus com a rebelião de Lúcifer e, depois, com o homem desobedecendo Senhor. O afastamento de Deus fez com que o ser humano entrasse em conflito um com o outro. Contudo, não é porque tal ato faça parte da história da humanidade que deva ser aceito e tolerado. Diante da impunidade, do avanço da injustiça e da maldade, a esperança se esvai e há um sentimento de falta de proteção. João A. Souza Filho diz: “Quando uma nação cria um código penal que oferece escape ao réu, que não pune o transgressor, e que deixa o cidadão sem proteção, constrói uma ponte sobre o vau da impunidade. Permite dessa forma, a violência, o medo, a dor e as lágrimas que tão cruelmente atazanam a vida dos que habitam nossas cidades. O cidadão se sente desprotegido, mesmo que esteja trancado atrás das grades da própria casa.[1] Não podemos esquecer que violência gera violência. E se reina a impunidade, muitos buscam fazer justiça com as próprias mãos.


Deparo-me com a notícia sobre uma jovem que, depois de ter sido agredida pelo irmão e ao chamar a polícia, acabou por ser agredida pelos policiais. Fiquei indignado ao ler a notícia, porque quem deveria protegê-la não o fez em momento algum, mesmo tendo ela narrado tudo o que aconteceu e depois, a própria jovem chega a dizer: “Com todos esses fatos acontecendo em um curto período de tempo, um atrás do outro, além do sentimento de injustiça que já dói muito, fiquei em choque. Não dava para acreditar no que estava acontecendo. Era para me ouvirem, e não me baterem.


A reportagem afirma que a jovem não detalhou a agressão para preservar os pais. Contudo, são os pais que devem preservar e proteger os filhos. Lendo essa reportagem, e tantas outras sobre o aumento da violência familiar, lembrei da história de Amnom, que violou sua meia-irmã Tamar. Davi, pai de ambos ao saber do que aconteceu, ficou irado, mas não corrigiu o filho. Absalão, irmão de Tamar, esperou dois anos e, vendo que nada foi feito, preparou uma festa, chamou os irmãos e fez justiça pelo que acontecera à sua irmã e fugiu. Davi o perseguiu, mas ele conseguiu esconder-se do pai. O tempo passou e Davi permitiu o regresso do filho a Jerusalém, mas Absalão ficou dois anos sem ser recebido pelo pai. Davi foi um pai omisso, que permitiu a violência dentro de sua casa e calou-se perante ela e nada fez. Absalão, no entanto, teve três filhos e uma filha. O nome dado à filha é Tamar, o mesmo de sua irmã e com isso, mostra que ela será cuidada e protegida. Passado um tempo, Absalão se volta contra o pai, que tem fugir para não ser morto pelo filho. Pai e filho entraram em guerra e Absalão acabou por morrer e seu pai o lamentou amargamente a sua morte (2 Sm 13-18). Violência gera violência e conduz à morte.


Pais omissos, que não corrigem seus filhos, irão chorar no final. Meu saudoso amigo e professor Isaltino G. Coelho Filho, certa vez disse: “o povo diz que quem rir melhor, é quem rir por último, mas chora melhor quem chora primeiro.” Chore por seus filhos enquanto são pequenos e corrija-os para poder se alegrar no final.


Uma jovem foi agredida por seu irmão e pelos policiais. Uma jovem foi violada pelo irmão, um pai omisso, um meio-irmão mata o outro e, depois, tenta matar o próprio pai. A espiral da violência é uma realidade. Ela está dentro de casa. Entretanto, pais devem ser os protetores de seus filhos e precisam educá-los, disciplinando-os no temor do Senhor para que os lares sejam um lugar onde o amor, o companheirismo e a cumplicidade reinem e nunca a violência.

[1] Souza Filho, João A. Violência tem solução? Editora Betânia ,1ª edição, Belo Horizonte, 2002.


#quarentena #família #confinamento #filhos

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