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Perdidamente religioso


Há pessoas que são religiosas nominais, outras tantas, praticantes formais, mas que o fazem por tradição ou por que determinada religião faz parte de sua família e simplesmente seguem a religião familiar sem questionamentos e muitos, se questionados sobre a sua própria salvação, não sabem o que dizer. Certa vez, o Senhor Jesus foi procurado por um religioso fervoroso e rico que desejava a salvação. O evangelho de Mateus narra-nos assim esse encontro:


“Um homem veio a Jesus com a seguinte pergunta: Mestre, que boas ações devo fazer para obter a vida eterna? Por que você me pergunta sobre o que é bom? perguntou Jesus. Há somente um que é bom. Se você deseja entrar na vida eterna, guarde os mandamentos. Quais? perguntou o homem. Jesus respondeu: Não mate. Não cometa adultério. Não roube. Não dê falso testemunho. Honre seu pai e sua mãe. Ame o seu próximo como a si mesmo. Tenho obedecido a todos esses mandamentos, disse o homem. O que mais devo fazer? Jesus respondeu: Se você quer ser perfeito,, venda todos os seus bens e dê o dinheiro aos pobres. Então você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me. Quando o rapaz ouviu isso, foi embora triste, porque tinha muitos bens”

(Mt 19.16-22). Quais as lições que esse texto nos ensina?


A primeira coisa que o texto ensina é quem deseja ser bom deve amar pessoas e não coisas. O jovem religioso cumpria todos os requisitos da religião, mas seu coração estava nas coisas, nas posses e não em Deus. Jesus ao dizer que ele deveria vender tudo e dividir com os demais fez com que o coração do jovem se revelasse, mostrando que para ele coisas eram mais importantes que pessoas. Quem ama o ter acaba deixando de ser para os demais, para si mesmo e essencialmente para Deus.

A segunda coisa que o texto declara é que quem ama o ter, deposita toda a sua esperança no aqui e agora. Jesus fez uma promessa ao jovem, mas a promessa era futura e ele desejava o presente, o imediato. O texto afirma que ele preferiu confiar sua vida nos bens, no que possuía a ter que confiar em Deus. Ele vivia para o momento e para tudo aquilo que o ter lhe garantia e não estava disposto a abdicar do que tinha para ser em Deus e receber de Deus um tesouro maior.


A terceira lição que o texto ensina é que quem deseja ser sem Deus abdica do ter e aceita caminhar com Jesus. O desafio que Jesus fez ao jovem foi que ele abdicasse do ter e aceitasse o desafio de segui-lo. Quem segue a Jesus partilha a vida com os demais, entendendo que ser em Deus rompe com os padrões estabelecidos, rasga o egoísmo e nos coloca na estrada com os outros, vivendo o desafio de ser uns para os outros. Portanto, quem deseja ser em Deus e para Deus, entende que a vida só faz sentido caminhando com Jesus e seguindo o caminho do esvaziamento, da mesma forma que Cristo.

Um jovem rico, religioso fervoroso, completamente dependente das coisas que possuía, preferiu o ter ao ser em Deus. Um religioso completamente perdido, que recusou ao chamamento de Jesus. A questão é: Estás disposto a abrir mão do ter para seres em Deus?

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