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Que Deus é este?



Certa vez e conversava com um amigo, ainda na minha bela cidade de Manaus, e falávamos sobre a questão do sofrimento, justamente porque uma pessoa próxima e que amava a Deus, estava vivenciando uma situação muito delicada. Mediante a tal situação, meu amigo afirmou que “um Deus que permite que aqueles que O amam sofram, não servia para ser seu Deus” e seguiu com a seguinte pergunta: “Que Deus é este?”



A verdade é que não sabemos lidar com o sofrimento. À medida que lidamos com as angústias, dores e adversidades, surgem também os questionamentos. Paralelo a isso, tal situação pode até nos conduzir para longe de Deus. Nesse sentido, o teólogo Bart D. Ehrman delcara que: “Se há um Deus todo-poderoso e compassivo neste mundo, porque é que existe tanta dor insuportável e tanto sofrimento inqualificável? O problema do sofrimento perseguia-me durante muito tempo. Foi o que me fez começar a pensar na religião quando era jovem, e o que me levou a questionar a minha fé quando cresci. Por fim, foi a razão que me levou perder a fé”. Entretanto, essa temática não é nova e muito menos as queixas que são dirigidas a Deus. O profeta Habacuque queixou-se, o Senhor lhe respondeu, mas ele, ao não gostar da resposta, voltou-se novamente para Deus dizendo:


Ó Senhor, meu Deus, meu Santo, tu que és eterno certamente não planejas nos exterminar! Ó Senhor, nossa Rocha, enviaste os babilônios para nos disciplinar, como castigo por nossos pecados. Mas tu és puro e não suportas ver o mal e a opressão; permanecerás indiferente diante desses traiçoeiros? Ficarás calado enquanto os perversos engolem os que são mais justos que eles? Somos apenas peixes para ser apanhados e mortos? Somos apenas seres do mar, que não têm quem os guie? Seremos fisgados por seus anzóis e pegos em suas redes enquanto eles se alegram e festejam? Então eles oferecerão sacrifícios às suas redes e queimarão incenso diante delas, dizendo: “Essas redes nos enriqueceram!. Deixarás que permaneçam impunes? Continuarão a destruir cruelmente as nações? (Hc 1.12-17). 

Quais são as lições que esse texto apresenta para nós?


A primeira lição que o texto nos ensina é que a disciplina do Senhor tem o objetivo de nos corrigir e não destruir. O belo desse diálogo é que o profeta se mostra escandalizado com o que Deus está para realizar, mas ele diz que mesmo que essa tragédia viesse a suceder, o Senhor continuava sendo o seu Deus santo. O profeta entende que Deus é o Deus graça e da vida. O Senhor que não morre, o Eterno não tem prazer algum no mal.


A segunda lição que o texto nos ensina é que queremos condicionar o agir de Deus à nossa vontade. Deus disse ao profeta que iria disciplinar o povo e a disciplina seria realizada pelos caldeus. Nesse sentido, o profeta mostra a sua indignação e diz para Deus que esse povo é muito pior que o seu povo.

Duas coisas que devemos reter: a) Achar que o pecado e a maldade do outro são sempre piores do que são os nossos; b) Não é a nossa vontade que conta, mas sim a Deus. Jesus, na oração modelo ensinou, ensinou que devemos pedir que seja feita a vontade do Pai e não a nossa.


A terceira lição que o texto ensina é que Deus é soberano e somos incapazes de ensiná-lo. Habacuque diz que Deus é soberano, mas depois procura justificar e dizer que os caldeus eram tão maus que destruíam com perversidade, sem piedade alguma e que, na verdade, eles é que deveriam ser destruídos imediatamente. Habacuque diz que se Judá precisa ser disciplinada, os caldeus, por serem piores, precisariam ser disciplinados primeiro. O problema é que Deus age e, no seu agir, Ele não tem que dar explicações.


Que Deus é este? O profeta nos responde afirmando que o Senhor é a nossa rocha. Sendo assim, fica a pergunta: Estás firmado na Rocha?

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