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Surpresa



O cristianismo é único e todo o seu fundamento reside na encarnação, morte e ressurreição de Jesus. No entanto, é preciso entender o que seja ressurreição, pois há muita confusão em nossos dias. Sendo assim, devemos iniciemos com N. T. Wright que afirma que “Ressurreição implica existência de um corpo. Nunca é demais enfatizar isso, já que em boa parte dos textos modernos a palavra “ressurreição” continua sendo usada, quase sempre equivocadamente, como sinônimo virtual de “vida após a morte”, no sentido popular”. É importante também perceber que, na crença judaica, havia o entendimento de que a ressurreição haveria de acontecer para todo o povo de Deus no final dos tempos, mas não para, tão somente, uma única pessoa. Entretanto, é fundamental também saber o que não é a ressurreição, e, para isso, é preciso voltarmo-nos para Thomáš Halík que afirma que “A ressurreição não é apenas uma expressão figurativa de que os pensamentos de Jesus continuam vivos (isto é, «eternamente atuais») – seria muito pouco. (…) A ressurreição também não é – voltamos a repetir – algo semelhante à ressuscitação ou reanimação, não é, reanimação de um morto e o regresso do morto para este mundo e esta vida que novamente termina com a morte”. A ressurreição é o centro da nossa fé e esperança. Entretanto, precisamos olhar para a Escritura e, assim, refletir sobre sua narrativa. Portanto, vejamos o que afirma o evangelho de Marcos ao relatar o instante em que é mencionada a ressurreição de Cristo:


Ao entardecer do dia seguinte, terminado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram comprar especiarias para ungir o corpo de Jesus. No domingo de manhã, bem cedo, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo. No caminho, perguntavam umas às outras: “Quem removerá para nós a pedra da entrada do túmulo?. Mas, quando chegaram, foram verificar e viram que a pedra, que era muito grande, já havia sido removida. Ao entrarem no túmulo, viram um jovem vestido de branco sentado do lado direito. Ficaram assustadas, mas ele disse:Não tenham medo. Vocês procuram Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele não está aqui. Ressuscitou! Vejam, este é o lugar onde haviam colocado seu corpo. Agora vão e digam aos discípulos, incluindo Pedro, que Jesus vai adiante deles à Galileia. Vocês o verão lá, como ele lhes disse”. Trêmulas e desnorteadas, as mulheres fugiram do túmulo e não disseram coisa alguma a ninguém, pois estavam assustadas demais. (Mc 16.1-8). 

Refletindo nesse texto, retenho algumas lições.


A primeira lição do texto, é que precisamos lamentar os nossos mortos. As mulheres se dirigiram até à sepultura com o propósito de lamentar e prestar sua última homenagem, num gesto de amor. Elas levavam especiarias não para embalsamar o corpo do Senhor, mas sim, desejavam perfumar o corpo de Jesus num gesto de amor e profundo respeito. Portanto, aquelas mulheres não imaginavam que a ressurreição tivesse ocorrido. Elas seguiam para lamentar e homenagear o Mestre.


É essencial afirmar que diante da morte o lamento e as homenagens são totalmente cabíveis e é fundamental que expressemos o que vai em nosso ser.


A segunda lição que aprendo com esse texto é que diante do extraordinário é normal sentir medo. O texto deixa claro que as mulheres ficaram atemorizadas, com medo e assombro e, por causa disso, silenciaram-se. Elas não contavam com tal atitude, não imaginavam ter tamanha surpresa, mesmo tendo o Senhor dito que iria ressuscitar. Portanto, percebemos que a Escritura deixa claro que é normal nos surpreendermos e termos vários tipos de sentimentos diante da surpreendente revelação do Senhor.


A terceira lição que o texto me ensina é que a ressurreição é algo completamente extraordinário. É interessante mergulhar no texto buscando os detalhes e aí, podemos ver as minúcias magníficas. O primeiro detalhe é as mulheres encontrarem a pedra do sepulcro, a fim de que elas tivessem acesso ao corpo de Cristo. Porém, para o espanto delas, havia dentro da sepultura um moço que dizia que sabia quem elas buscavam e lhes disse que Ele não estava lá, mas havia ressurgido. Além disso, elas deveriam dizer isso aos discípulos e a Pedro que eles deveriam ir para a Galiléia porque Ele iria na frente e os encontraria lá.


Tudo acontece de maneira extraordinária e sobrenatural, pois a ressurreição é um ato de Deus e não do ser humano.


Por último, esse texto ensina que Jesus continua cuidando dos seus e é magnífico ver que a mensagem enviada para aos discípulos para regressarem para Galiléia, lá que seria onde eles o veriam- Logo isso, significa que o Senhor, continuaria sendo o Pastor deles e como tal, eles deveriam seguir na frente do seu rebanho. Desse modo, Ele, como o nosso Pastor, abre-nos a porta da ressurreição e mostra-nos que a morte não tem a última palavra.


A ressurreição é o fundamento da nossa fé e, ao mesmo tempo, ela é vida no corpo, no mesmo corpo onde reside a nossa esperança.

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